Alma Viajante  

Conhecendo o Mundo e Compartilhando Experiências

40 dias em meio à Natureza da Chapada dos Guimarães

Em busca de mudanças em minha vida, e praticamente logo depois de voltar da Chapada Diamantina, comecei a procurar vários hotéis e pousadas pelo Brasil, e mandei e-mails procurando vagas de emprego. E enviei também a Pousada do Parque na Chapada dos Guimarães, e mal sabia eu que estaria ali apenas 08 meses depois desse e-mail.



Após umas trocas de e-mails, eles não tinham vaga no momento, mas talvez precisassem para a alta temporada. Mas até o final de 2016, não tive nenhum retorno, e inesperadamente, no início de fevereiro de 2017, eles precisavam de um voluntário para a recepção da pousada. E por uma atitude, uma conexão criada no passado, esse vínculo foi criado, e em menos de um mês eu já estava lá, ajudando.


Quando vamos para um lugar desconhecido e sem conhecer ninguém, a primeira coisa que temos que fazer é deixar de lado todos os bloqueios, medos e tentar quebrar as barreiras que temos dentro de nós.


Sim, eu sei que é muuuito difícil e muitas vezes mesmo assim, vivenciando situações a gente não consegue deixar os bloqueios ou perder os medos. E foi muito o que aconteceu comigo na Chapada dos Guimarães.

O lugar é um paraíso em meio à natureza, simplesmente perfeito para desconectar do mundo, além do que eu sempre fui louca para conhecer a região. Porque eu tenho algum problema chamado: gosto de ir a lugares onde não vão muitos turistas!! rs


Chegando lá, sabia onde ia ficar, mas não esperava ser completamente isolado, em um pequeno quarto já no final da propriedade, sem TV (não que eu tenha sentido falta, pelo contrário) e sinal de internet raro. Nunca fui daquelas patricinhas, e sempre amei a natureza, mas confesso que quando cheguei me assustei um pouco, talvez até pelo cansaço de uma viagem de um dia inteiro.


Conforme os dias foram passando eu tive (fui obrigada) a me acostumar com várias aranhas e insetos gigantes que eu nunca tinha visto em São Paulo, porque a aranha em SP não consegue sobreviver, porque nós matamos a bichinha antes disso. E lá todos eles estão em seu habitat natural.


Toda noite era o mesmo ritual, tinha que bater todos os lençóis, olhar embaixo da cama e dentro do banheiro para ver se não achava uma caranguejeira passeando por ali, e quando achava, muitas vezes chorando de medo e dó de matar, tinha que tentar colocar ela para fora do quarto.


Mas por outro lado, muitas vezes meus amigos me ajudavam, e a melhor parte de talvez dormir com medo, era acordar com sol e muitos pássaros cantarolando na janela, com um novo dia completamente à disposição para ser vivenciado.


Ficava com medo no dia a dia, mas sempre andava atenta, pois todos comentavam sobre as cobras que sempre apareciam por ali. Acho que como qualquer pessoa que não tem contato com cobra, eu não tinha medo, mas tinha medo de pensar em achar uma cobra dentro do meu quarto, sozinha e sem saber o que fazer com ela, antes de um possível ataque.


Me lembro que em uma das noites, recebi uma visitinha de um possível porco espinho no telhado, que fazia mais barulho que tudo, e de tão alto, não conseguia nem dormir.


Mas acho que o pior dia (pior no bom sentido, no sentido de enfrentar um medo), foi quando faltou energia!

Sem luz, num quartinho minúsculo, onde eu ainda tinha que fazer a vistoria de toda noite, para expulsar as caranguejeiras!! Claro, que na hora fiquei bem desesperada rs chorei de medo me perguntando para Deus o porquê de estar ali e vivenciando tudo aquilo.


Assim que fechou o restaurante da pousada, eu e meus amigos funcionários fomos em direção às casas, e eu pro meu quartinho morrendo de medo. A sorte, porque Deus nunca nos abandona, é que meu amigo Alex voltou do meio da estrada para ficar comigo até a luz voltar. E nessa noite tive a certeza do porque estar ali, conhecer aquelas pessoas e percebi que ainda existem pessoas boas que valham a pena.


Por isso que sempre digo para todo mundo, independente de qualquer coisa, sorria para alguém, faça o bem, que esse sorriso/bem vai voltar para você. E nesse momento que precisei, ele me ajudou. Pode até parecer uma situação simples, mas não para quem estava desesperada e já enfrentando todas as outras situações relatadas acima.


Diante disso, acho que nem cabe falar muito que eu nunca tinha andando de moto (e tinha um possível medo dentro de mim) e o Alex, que se tornou meu guia em Chapada, me levou para todos os passeios que fizemos de moto. Mas isso foi fichinha depois do dia em que acabou a energia.


Dia após dia, era uma pequena batalha pessoal que eu vencia dentro de mim. Cada medo, cada obstáculo, cada barreira vencida foi um aprendizado incrível que eu espero nunca esquecer, e inclusive daquelas pessoas incríveis que conheci, porque se não fossem eles, eu naquela condição, cheia de medo, não seria nada sem a ajuda deles! Muita gratidão.


Quem me conhece bem sabe que não sou nada amiga das baratas, e logo que cheguei em São Paulo a primeira coisa que pensei foi...sei lá as baratas parecem tão inofensivas perto daquelas aranhas gigantes da Chapada. Não que eu tenha perdido o medo completamente, mas estou mais resistente e não dou mais tanta importância para elas como antes.


Pergunta: Quais foram as barreiras que você já quebrou, os medos que perdeu e os bloqueios que deixou de lado durante alguma viagem sua?


SOBRE

Juliana Santos, que deseja mostrar a todas as pessoas, que viajar é mais do que conhecer lugares, é provar e compartilhar experiências! E que basta mudar a nossa visão sobre as coisas e lugares, olhando positivamente, que sempre teremos experiências engrandecedoras.

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