Alma Viajante  

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Vulcão Lascar: Como subir o Vulcão mais Ativo do Deserto do Atacama!

28.02.2018

"Subir um vulcão a 5.592 metros de altitude não é tarefa fácil! Disseram que normalmente, em um grupo de 5 pessoas, 2 desistem.

Em nosso grupo de praticamente 10 despreparados, ninguém desistiu! 

Ao longo do percurso, isso foi o que deu mais motivação para cada um concluir seu objetivo pessoal, reconectar com a sua essência e a sua natureza interior, e isso não tem preço!

Logo que chegamos, de imediato, caímos em um choro coletivo, e em uma conversa entre todos, um dos guias disse:

“Cada um de vocês aqui são vitoriosos e todos podem conseguir o que quiserem na vida!”  

 

 

Inspira e um passo.. Expira e outro passo, e assim se inicia lentamente a subida ao Vulcão Lascar, o mais ativo do Deserto do Atacama, no Chile. Quem vê assim, de fora, até pensa que é fácil, mas há toda uma preparação para poder chegar neste momento do início da subida...beber muita água na noite anterior (cerca de 2 litros), não comer carnes e refeições pesadas, nada de bebidas alcoólicas, dormir cedo, sem contar o medo e pressão psicológica da mente dizendo a todo instante.."será que vou conseguir?"

 

 

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E como se não bastasse, a programação se inicia cedo, por volta das 5h da manhã, com várias camadas de roupas, entre elas: calça segunda pele, calça legging, blusa segunda pele, blusa fleece, blusa corta-vento, casaco, luvas, dois pares de meia, touca, cachecol, e por fim, uma mochila cheia de coisas (levando o essencial). Nem parece férias né...mas a vontade de experienciar é sempre maior que qualquer outra coisa. 

 

E seguimos, com mais água (muita água) durante a subida, com várias paradas para utilizar o banheiro inca (aquele no meio do deserto, ao ar livre) e já é possível sentir o mal de altitude dando o ar da graça, com uma leve pressão na cabeça, tontura, dor de cabeça, enjoo e por aí vai. 

 


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Chegando na Laguna Lejia, há uma parada para fotos e um belo café da manhã. DICA: Coma bem e algum doce (como pão com doce de leite, porque ajuda a dar energia). Logo, seguimos em direção à base do vulcão, até onde o carro conseguir ir. Depois de uma reunião com todos, explicando como funciona e com instruções para melhor aproveitamento na subida, se inicia um ciclo de "quebras de barreiras". 

 

Digo isso de quebrar barreiras, em todos os sentidos da vida! Porque a partir do momento que se inicia a caminhada é somente você e a montanha, como se fosse uma espécie de meditação nas altitudes. Há várias técnicas de respiração e passos, mas a mais importante ao começar é o respeito à montanha. Não vá pensando: "eu vou subir essa montanha mega fácil e rápido, porque já fiz coisas muito piores"...Pense: "Com amor, respeito e ajuda da montanha, conseguirei chegar ao final deste trekking", e realmente medite neste pensamento, sempre com muito respeito.

 

A respiração deve ser um pouco mais lenta e longa, e os passos calmos, acompanhando a respiração, e os guias sempre orientando da melhor forma. A subida a cratera do Vulcão Lascar é dividida em três partes: a primeira que é a mais longa e mais cansativa, porque é o momento em que você está se acostumando com toda a situação fora da sua zona de conforto (altitude, cansaço, enjoos, dor de cabeça, dificuldade de respiração, dores musculares principalmente nas pernas, entre outros sintomas).

 

A caminhada continua com paradas em alguns pontos estratégicos. Logo, começa a segunda parte da subida, que é bem difícil porque é a mais íngreme, exigindo mais da pessoa, mas é a mais curta. E por fim, a terceira parte que é longa, mas do início dela já é possível ver aonde você chegará, na Cratera do Vulcão Lascar, e isso dá uma tranquilizada, depois de mais de três horas caminhando. 

 

 

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Vulcão Lascar: Como subir o Vulcão mais Ativo do Deserto do Atacama!

 

 

Pelo meio da terceira parte, é possível ver bem próximo à trilha, pedaços enormes de geleiras que rendem belas fotos. Mas esse é um momento de concentração, como durante toda a subida, onde sua mente fica lhe dizendo a todo instante: "não vou conseguir, vou desistir", e talvez seja melhor guardar registros deste momento, apenas na memória e no coração, que é o que realmente importa. E eu só pensava: "estou chegando, falta pouco, muito pouco"..

 

Sempre digo a todos, não importa a viagem que você faz, o lugar que você vai, e nem com quem você está (ou se está sozinho) e sim a forma como você encara todas as novidades que estão ali em sua frente! A sua curiosidade pelo outro, pela vida dele, pela tradição que ele carrega, as histórias que ele tem para te contar, tudo o que ele tem a te ensinar, os lugares que ele vai te levar, a culinária local...tudo, cada detalhe deve ser olhado de forma diferente, sem pré-conceitos, sem "eu gosto disso" ou "eu odeio aquilo", e é isso que tornará a sua viagem inesquecível, cheia de experiências encantadoras. 

 

 

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Chegar à Cratera do Lascar, talvez nem seja tudo isso...mas o que faz mudar tudo, é a sua visão diante daquela situação! A partir do momento que você olha para todas as situações das suas viagens (e consequentemente da sua vida) com um olhar de curiosidade e passa a enxergar como uma nova experiência (mesmo que ruim na sua visão, ela terá algo a lhe ensinar), tudo, literalmente tudo fica especial. Até aquele banho gelado no meio do deserto frio (e que normalmente você pensaria "ai que saco, tenho que tomar banho gelado! O que estou fazendo aqui? Que viagem horrível!"), porque faz parte daquela experiência, e esse momento nunca mais voltará. 

 

Ficar ali na cratera observando a fumaça de enxofre, pensando em todo o esforço que acabou de passar e as barreiras que quebrou, é muito gratificante. Mas logo é hora de descer, porque quanto mais tempo parado, mais frio dá (e estamos falando em algo de menos de -8 graus). 

 

 

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A descida é bem mais rápida, mas em minha opinião, foi mais difícil que subir. Além de todo o cansaço e pressão acumulados do dia todo, você não pode desviar a atenção em nenhum momento de onde está pisando, se não pode escorregar, e sair literalmente rolando vulcão abaixo. É necessária a ajuda de um bastão para apoiar, porque como o chão do vulcão é todo de areia, pedras e pedregulhos, previne para não cair nele.

 

Por volta das 15h da tarde, já estávamos voltando à San Pedro de Atacama. E na volta o ritual é o mesmo, muita água, porque com a baixa brusca de altitude, pode dar tontura e enjoo novamente. E assim finalizou-se um dos dias mais especiais de toda a viagem para o Deserto do Atacama. 

 

LEMBRE-SE: Em sua próxima viagem...deixe seus medos, pré-conceitos criados pela mente, aquele “eu não gosto disso” de lado. Ao colocar os pés para fora de casa, tenha em mente apenas uma folha em branco e deixe com que as pessoas, os lugares e as experiências desenhem algo novo nesta folha. Sem todos os seus bloqueios, medos, máscaras e formas de sabotar a viagem. Deixe-a fluir naturalmente. E dessa forma, quando você mudar a sua visão em relação a tudo na vida, eu tenho a certeza que não terá como ser ruim qualquer viagem que você faça (nem um simples bate e volta para a praia).

 

 

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SAIBA QUE: 

- É melhor deixar para subir o vulcão no seu último dia de passeios no Atacama, para já estar aclimatado; 

- Tome mais de dois litros de água na noite anterior e pela manhã, e coma alimentos ricos em carboidratos e açucares para dar energia;

- Os primeiros 40 minutos de caminhada são os mais difíceis. É um trabalho constante ali com a mente, para não desistir; 

- É de extrema importância a agência e guia que vai com você, porque na hora em que você se cansar e quiser desistir, eles irão te motivar; 

- O trekking pede 90% do seu psicológico e apenas 10% do corpo físico;

- Em todos os momentos, foque na respiração lenta e nos passos, não pense em mais nada, medite nisto; 

- É possível subir o vulcão sem guia, mas é fundamental estar acompanhado de um guia especializado em montanhismo para te ajudar;

 

 

O que achou do post da semana? Você já passou por alguma experiência parecida?

Deixe a sua opinião aqui nos comentários que eu vou adorar saber! (:

E fique de olho que logo terá mais posts sobre o Deserto do Atacama.

 

 

  

 

"O caminho de volta foi de muita reflexão, choro e uma sensação de extasiamento à todos...pensamentos sobre conseguir ultrapassar limites e vencer barreiras.

Um cansaço físico mas um relaxamento mental inexplicável.

Chegando na Casa Sorbac, era hora de arrumar as coisas para ir acampar nesta mesma noite, mas a vontade era apenas de ficar ali sentada observando e refletindo sobre esse dia magnifico.

E na van, a caminho do local do acampamento tocava uma música que dizia:.. "La complicidad es tanta, que nuestras vibraciones se complementan", e explicou todo o sentimento daquele dia inesquecível."

 

 

Gratidão à todos que participaram deste dia incrível, e em especial as pessoas que tiraram algumas fotos deste post: @patchinpixels, @mileneteodosio e @tavaresbecca.

 

 

 

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SOBRE

Juliana Santos, que deseja mostrar a todas as pessoas, que viajar é mais do que conhecer lugares, é provar e compartilhar experiências! E que basta mudar a nossa visão sobre as coisas e lugares, olhando positivamente, que sempre teremos experiências engrandecedoras.

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